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Eles foram traídos.
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Eles partilhavam o mesmo confessor,
um padre fraco e palerma.
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Numa confissão bêbada ao seu superior,
cometeu um pecado mortal.
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Revelou ao bispo
os votos secretos dos amantes.
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O parvo não se apercebeu
do que tinha feito,
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nem da terrível vingança do bispo.
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Sua Graça pareceu ficar louco.
Perdeu a santidade e a razão.
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Jurou que se não a podia ter,
ninguém a teria.
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Por isso,
Navarre e lsabeau fugiram de Aquila.
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O bispo seguiu-os, sempre com uma hora
de atraso, firme como um cão de caça.
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É um homem mau e poderoso,
odiado e temido.
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Foi rejeitado até por Roma.
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Invocou os poderes das trevas...
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para amaldiçoar os amantes.
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Na sua fúria e frustração,
fez um acordo terrível...
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com Satanás.
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Os poderes sombrios do inferno...
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lançaram uma terrível maldição
que já presenciaste.
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Durante o dia,
a lsabeau é a bela ave que me trouxeste.
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E à noite, como já deves ter adivinhado,
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a voz do lobo que ouvimos...
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é o grito de Navarre.
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Criaturas sem memória
da meia-vida da sua existência humana.
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Sem nunca se tocarem na carne.
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Só a angústia de um segundo
ao nascer e ao pôr-do-sol,
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quando quase se podem tocar,
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mas não se tocam.
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Sempre juntos. Eternamente separados.
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Enquanto o sol nascer e se puser.
Enquanto existir o dia e a noite.